SEMANA13/07 ATÉ 17/07 - LÍNGUA PORTUGUESA, ARTES, MATEMÁTICA, HISTÓRIA E GEOGRAFIA
UMA FAMÍLIA TÃO COMUM
Daniela cruzou os braços, à espera. Irão discutir sobre os nazistas, novamente?
- Alguém já decidiu se quer vitamina? – indaga a dona da casa.
- Querem, ela serve. Acabam de tomar, ela recorda:
- Hoje é dia de os homens ficarem na cozinha. Pedro, por favor, tire a louça da mesa e leve para a pia. Nós arrumaremos a sala.
- Teu pai lava louça? – estranha Daniela para a amiga.
- Como não? Só que normalmente o serviço da casa é feito por todos, homens e mulheres juntos. Cada um faz um pouco. Mas aposto que essa noite a mãe inventou agorinha.
- Lá em casa meu pai não ajuda em serviço de mulher.
- E o que é serviço de mulher? – interessa-se seu Murilo.
- Arrumar a cozinha, eu acho.
- Ah, teu pai não faz as refeições com vocês?
- Sim, mas não lava a louça.
- Por quê? Ele não suja a louça que usa para comer?
- Quer dizer... suja. Suja, mas não lava.
Seu Murilo interrompe o embaraço da menina.
- Deixa, depois conversamos sobre isso. Venha, Pedro: ao trabalho!
- Sobre o que vocês conversam, quando estão à mesa? – pergunta tia Clara.
- Conversamos?
Daniela revê os almoços em sua casa. O pai reclamando do emprego (“Todos uns incompetentes, nem sei de que escola saíram. Só eu trabalho!”), a mãe atenta aos modos dos filhos (“Coma direito! Não enfia tudo na boca de uma vez só! Não fale com a boca cheia!”). Suspirando e sonhando (“Como vou dar conta das contas no fim do mês? Tem o vestido que vi na vitrina, e as empregadas que não param, não se consegue mais nenhuma, elas pedem uma fortuna, fazem tudo errado, a gente tem de dar duro sozinha, quem aguenta?”). Daniela relembra as vezes que tentou conversar, explicar, perguntar. Chega à conclusão de que a confusão em sua casa é maior do que a que encontra em casa da amiga.
- Vocês se falam à mesa? – insiste tia Clara.
- Não, só escutamos. O Carlinhos, a Regina e eu.
- Mas ninguém pode só escutar.
- Lá em casa, sim.
As mulheres dirigem-se para a sala de visitas. Tia Clara pega o crochê.
- Minha avó também faz crochê; quando vai lá em casa, leva o trabalho para adiantar.
- Ela gosta de crochê?
Daniela espanta-se com a pergunta.
- Acho que sim. Ela diz que não devemos ficar com as mãos desocupadas.
- Por quê?
- Não sei . . . A mãe faz tricô.
- E seu pai?
- Ah, ele chega, cansado do serviço, então senta e lê o jornal, janta, escuta o noticiário.
- Sua mãe não trabalha?
- Trabalha. Numa loja – é gerente – e em casa. Eu ajudo na casa, ela não dá conta.
- Seus irmãos ajudam no serviço?
- Só a Regina. O pai diz que serviço de casa é coisa de mulher.
- Sua mãe não se cansa no serviço, no emprego dela?
- Eu não sei . . . deve cansar, sim, por isso a Rê e eu ajudamos.
- Pois é – fala dona Maria do Carmo. – Teu pai não tem culpa, se não auxilia nos trabalhos de casa. Tua mãe é que precisa dizer pra ele que ela também se cansa, como gerente, que ela é gente como ele. Se ela não exigir a divisão de trabalhos em casa, cada vez mais você três farão tudo sozinhas.
Daniela põe em dúvida a questão: “Lá em casa . . . Acho que não dará certo . . .”
(Maria de Lourdes Ramos Krieger)
Entendendo o texto
1) Onde Daniela se encontra no momento da conversa?
2) Por que Daniela estranha o fato de o pai da amiga lavar louça?
3) Como se sente Daniela diante do interrogatório de seu Murilo? Por quê?
4) Como é o relacionamento dos familiares de Daniela durante as refeições?
5) Na casa da amiga de Daniela, como é o relacionamento familiar durante as refeições?
6) Assinale as características corretas em relação à mãe de Daniela:
a) Adora trabalhos domésticos.
b) Relaciona-se bem com as empregadas.
c) Chama a atenção dos filhos durante as refeições.
d) É muito preocupada com a aparência.
e) Trabalha só em casa.
f) Trabalha dentro e fora de casa.
7) Assinale as características corretas em relação ao pai de Daniela:
a) Considera-se o melhor funcionário da firma.
b) Não ajuda nos trabalhos domésticos.
c) Não tem diálogo com os filhos.
d) É dominado pela mulher.
e) É muito machista.
8) Em que medida, a avó e a mãe de Daniela contribuem para a atitude machista do pai?
9) Na sua opinião, por que para alguns homens é tão difícil aceitar que devem ajudar nas tarefas domésticas?
10) O que você acha dos pais que não conversam com os filhos?
11) Há uma frase muito famosa que diz: “Ser mãe é padecer num paraíso.” Você concorda com essa afirmativa? Comente.



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